sábado, 18 de abril de 2009


"Hoje pensei sério: se me perguntassem o que mais desejo na vida, não saberia responder.
Quero tudo. Mas esse “tudo” é tão grande, tão vago, que me sinto estonteado. É preciso ir limitando meu sonho, apagando a linha supérflua, corrigindo as arestas, até restar somente
o centro, o âmago, a essência. Mas qual será esse centro, meu Deus, que não encontro? "


Entre a o querer e o poder.Entre o ter e o não ter.Entre o sim e o não.Entre o fato e o ato.
Me desloco, diariamente,entre essas coisas procurando apenas não me perder e nem me esquecer em nenhuma tentativa frustrada.

domingo, 12 de abril de 2009


Das dores e flores,
só me restaram os amores
que eu não vivi.

sábado, 11 de abril de 2009


"Tô exausto de construir e demolir fantasias. Não quero me encantar com ninguém."

De encantos e encantos perdi o príncipe e virei o sapo da história.

Desviando dos pensamentos obscuros, evitando os atalhos tentadores e duvidosos,correndo contra o tempo, ultrapassando os medos, tropeçando nas dores, procurando caminhos...correndo, correndo e correndo.
Para dentro, para dentro, para dentro de mim - esse é o caminho.
Sem desvios, sem enganos.
Corre.

domingo, 5 de abril de 2009


Mergulhava até o fundo, até onde não enxergasse mais a luz, até onde não pudesse voltar sem que morresse antes. Mas mergulhar, cada vez mais fundo, não seria morrer também?
Sim, ela respondeu, mas o óbvio me matou muito antes e doeu muito.
Renasci, então, para morrer no inesperado, eu espero.

sábado, 4 de abril de 2009



As coisas já não estavam mais como antes.
Percebeu essa mudança singela logo ao seu primeiro abrir de pestanas.
Não sabia exatamente o que havia acontecido, mas sabia que havia ocorrido. Talvez houvesse mudado a estação, a maré, o curso do vento, o caminho do seu pensamento ou do seu coração.
Não era uma mudança dolorosa, havia medo e receio mas não aquela dor.
Como uma semente que germina e luta contra a gravidade, contra o peso da terra e no fim rompe o obscuro para descobrir o pleno, a luz. Ela havia, enfim,visto a sua luz.
Não que os perigos houvessem acabado, mas agora havia luz em seu caminho - momentos de escuridão também- a luz prevalecia.
Todos esses pensamentos flutuavam em sua mente enquanto ela se levantava da cama, enquanto ela se levantava para a vida e percebia que a mudança era ela - simples, recatada, imatura e essencial.
Uma flor nasceu.

*ao som de Elephant Gum - Beirut

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro.
O medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.

-Carlos Drummond de Andrade.